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| Esta é você aos meus olhos. |
Imagino como seria ter te conhecido. Conversar sobre arte, tirar fotos e caminhar nos bairros do Rio. Olho para dentro. O pensamento intenso de quem busca reviver memórias que não devem ser esquecidas. E elas vêm. Te vejo brincar na areia, chorar e questionar o fato das coisas serem como são. Te vejo aprender a usar com precisão os instrumentos diante de bocas escancaradas. Eu te vejo no espelho com os cachos nos cabelos e cada traço emitindo gritos de resistência. Percebo a tua mensagem de liberdade escorrendo dos olhos. E então não somos estranhos. Este é um ano difícil de se escrever. Um continuum desfigurado, senso de estagnação, buraco. Ando atento. Memorizo o pixo, palavra por palavra, até virar matéria. Faz parecer que voltou a ser seguro dar a volta no quarteirão sozinho. Mas nunca foi. Não para as nossas, não para os nossos. Vidas, nomes e vontades de mudar o mundo. O retorno do silêncio abdicado cobrindo tudo em plena estação quente. O movimento é constante. Que saiam eles então, se continuam forçando partidas. Estou triste. Não consigo escrever na bifurcação. Tudo leva à captura da liberdade de existir como se é. Nada escapa às vistas. Estou exausto. Quem nos mata o faz assim. No escuro ou sob luzes piscantes de cores endereçadas. O poder e a intolerância performados por homens que seguram armas de fogo. Dor não é algo mensurável. A morte dura. A angústia não sai do lugar. Este é o ponto cego entre ontem e hoje. É 2018 ainda. E o que temos são vozes e corpos, exaustos, mas em movimento.

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